15/02/2008
Igreja quer impedir leis que descriminem o aborto
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi criticado ontem pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal dom Geraldo Majella Agnelo, por apoiar a discussão sobre a legalização do aborto no Brasil. A crítica foi feita durante entrevista coletiva de lançamento da Campanha da Fraternidade 2008, cujo lema “Escolhe, pois, a vida” tem como um dos principais objetivos impedir que o Congresso Nacional aprove projetos de leis que descriminem a prática. A campanha enfoca ainda o combate à legalização da eutanásia (prática que antecipa a morte de um paciente em estado terminal) e a defesa do meio ambiente. - De uns anos para cá, muitos políticos têm mostrado uma preocupação aparente com a saúde pública.
Ele (o ministro) vem tratando o aborto como um problema de saúde pública. Ele deveria se preocupar em prestar um atendimento digno às pessoas e não com a eliminação de vidas”, disparou o arcebispo.
Segundo Majella, o tema é o mais urgente desta 45ª edição da Campanha da Fraternidade. O Evangelho é contra o aborto e tudo que tira a dignidade da pessoa. Hoje, mais do que nunca, as pessoas tentam mostrar que tudo que é legal é bom. Estamos vivendo uma ‘despenalização’ do aborto, salientou o arcebispo.
O tema foi escolhido pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e apresentado nacionalmente na última quarta-feira. A CNBB pretende reforçar as ações que apóiam mulheres que decidem levar adiante uma gravidez indesejada. No Brasil, o aborto é permitido apenas nos casos de risco de morte para mãe e estupro. Dom Geraldo afirmou ainda que a Igreja condena o aborto, inclusive, nesses dois casos. - Ela (a mãe) não tem o direito de promover a morte de um filho só para satisfazer seu egoísmo, desprezando a vida que foi colocada dentro de si, avaliou o arcebispo. Ele salienta que, na Bahia, a campanha será colocada em prática através de um trabalho de formação dos cristãos durante encontros nas comunidades, seminários e missas. Dom Geraldo criticou ainda as campanhas pelo uso da camisinha classificando os católicos que usam o preservativo de - Maus católicos. Essas campanhas não contribuem para uma vida mais digna. Elas estimulam a promiscuidade, afirma.
Sobre a prática da eutanásia, o cardeal teme pelo aumento do número de morte de idosos. A expectativa de vida do brasileiro está aumentando e hoje é comum encontrar pessoas com 90, 100 anos. Para muitos, eles são considerados - pesos - e devem ser eliminados”, disse.
Fonte: Correio da Bahia